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Até 200 mil pessoas adotadas fora dos Estados Unidos podem estar hoje em situação migratória irregular, segundo reportagem do The New York Times. Todas chegaram ao país ainda crianças, foram criadas por famílias americanas, mas nunca tiveram a cidadania formalizada.
O problema, que por anos passou despercebido, aparece na vida adulta. Em muitos casos, surge ao tentar emitir um passaporte, acessar serviços oficiais ou responder a exigências legais.
Sem a documentação, essas pessoas deixam de ser reconhecidas como cidadãs americanas.
A falha que atravessa décadas
A origem da situação está na forma como a legislação tratou a cidadania de adotados internacionais ao longo do tempo.
Antes de 2001, adoção legal não garantia automaticamente a cidadania. A mudança veio com a Child Citizenship Act, que passou a conceder cidadania automática a menores adotados por americanos, desde que cumprissem critérios antes dos 18 anos.
Quem já tinha atingido a maioridade na época ficou fora.
Esse recorte criou uma lacuna que ainda afeta milhares de pessoas.
Quando o sistema cobra prova
Na prática, a ausência de cidadania só se torna visível quando há exigência formal de comprovação.
Sem um Certificate of Citizenship ou passaporte americano, o indivíduo precisa provar um status que, na prática, sempre assumiu ter.
Há casos documentados de pessoas que nunca viveram fora dos Estados Unidos sendo deportadas para países onde não têm vínculos familiares ou culturais.
Organizações apontam falha estrutural
A situação tem sido acompanhada por entidades de direitos humanos.
A Human Rights Watch afirma que os casos revelam uma falha estrutural no sistema migratório americano. O problema não está na entrada no país, que foi legal, mas na ausência de formalização da cidadania ao longo do processo.
Grupos como a Adoptee Rights Campaign também atuam no suporte a adotados que tentam regularizar o status.
Congresso tenta corrigir a brecha
A pressão política aumentou nos últimos anos.
Em 2024, parlamentares reapresentaram o Adoptee Citizenship Act, proposta que busca reconhecer automaticamente a cidadania de adotados internacionais que ficaram fora da lei de 2000.
O projeto foi introduzido na Câmara como H.R. 8617 e tem versão correspondente no Senado. Até agora, não foi aprovado.
Um problema que só aparece tarde demais
A principal característica desses casos é o atraso na descoberta.
A ausência de cidadania não interfere na infância nem na adolescência. O impacto surge quando a vida adulta exige comprovação formal.
Sem o documento, o que sempre foi tratado como pertencimento passa a depender de registro.
The New York Times Human Rights Watch USCIS Departamento de Estado dos EUA Projeto H.R. 8617 (Congresso dos EUA) Adoptee Rights Campaign Conteúdo base:
Dados confirmados em reportagem do The New York Times e em documentos oficiais do governo dos Estados Unidos. Estimativa de até 200 mil casos atribuída ao NYT. Posição da Human Rights Watch verificada em comunicações públicas da organização. Não há uso de fontes anônimas.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.