
Eric Swalwell suspendeu a campanha ao governo da Califórnia após a divulgação de acusações de má conduta sexual. Ele nega as alegações. A saída ocorre em meio à disputa sob o sistema “top two”, em que os dois candidatos mais votados avançam para a fase final, independentemente do partido.
As denúncias sexuais dominaram o noticiário nos primeiros dias. Em seguida, surgiu uma segunda frente. Duas queixas formais enviadas a órgãos federais passaram a circular com a alegação de que uma brasileira teria trabalhado como babá residente para a família do então deputado sem autorização válida durante parte do período.
O que dizem as denúncias
As informações foram divulgadas pelo jornal New York Post com base em reclamações encaminhadas ao Departamento do Trabalho e a autoridades ligadas à imigração. A brasileira é identificada como Amanda Barbosa.
Segundo a publicação, ela teria entrado nos Estados Unidos pelo programa de au pair e, após o fim do status, continuado a trabalhar. A reportagem também menciona registros de despesas de campanha com childcare e questiona se a forma de pagamento pode ter sido irregular.
Não há, até o momento, decisão oficial sobre o caso. As informações são tratadas como alegações em apuração. Não existe confirmação de violação por parte de autoridades federais.
Essa distinção é central. O episódio não configura, neste estágio, uma infração comprovada. Trata-se de um conjunto de denúncias que ainda dependem de investigação administrativa.
Por que o caso ganha repercussão
A presença de uma trabalhadora estrangeira em situação possivelmente irregular amplia o alcance político da crise. Questões migratórias costumam ganhar peso em disputas eleitorais, especialmente quando envolvem figuras públicas.
Registros de emprego doméstico também entram no radar de fiscalização quando associados a campanhas políticas, já que envolvem regras específicas de financiamento e prestação de contas.
Como funciona o programa de au pair nos EUA
O programa de au pair faz parte do visto J-1, voltado para intercâmbio cultural. Ele permite que jovens estrangeiros morem com famílias americanas enquanto cuidam de crianças e participam de atividades educacionais.
Para participar, é preciso ter entre 18 e 26 anos, comprovar conhecimento de inglês e se inscrever por meio de uma organização patrocinadora autorizada pelo governo dos Estados Unidos.
A carga de trabalho tem limites definidos. O máximo é de 10 horas por dia e 45 horas por semana. O participante também precisa cumprir exigências acadêmicas durante o período do programa.
O documento central desse processo é o formulário DS-2019, emitido pela organização responsável. Ele sustenta o status legal do participante no país.
O que acontece após o fim do programa
Quando o período do J-1 termina, o participante precisa deixar o país ou mudar de status migratório de forma regular.
A permanência sem autorização ou o exercício de trabalho fora das regras pode gerar consequências administrativas. Entre elas estão dificuldades em futuras solicitações de visto ou ajustes de status.
Outro ponto relevante é que o visto de estudante, como o F-1, não equivale automaticamente a autorização de trabalho. Existem regras específicas e limitações claras para qualquer atividade remunerada.
Dados oficiais do programa
Segundo dados do programa BridgeUSA, do Departamento de Estado, 1.960 brasileiros participaram da categoria Au Pair em 2021.
Em 2022, a Califórnia recebeu 2.947 participantes dessa categoria. Os números ajudam a dimensionar a presença do programa no estado e explicam a relevância do tema em contextos locais. Não há estatísticas oficiais consolidadas sobre o número total de brasileiras que trabalham como babás nos Estados Unidos fora do programa formal.
A informação sobre a suspensão da campanha e o contexto político da corrida ao governo da Califórnia foi reportada por Associated Press, Reuters e Washington Post. As alegações envolvendo a babá brasileira e o uso de fundos de campanha foram descritas como denúncia em reportagem do New York Post e contextualizadas em cobertura do Guardian. As regras do programa de au pair e os dados oficiais do J-1 foram consultados no BridgeUSA, do Departamento de Estado, incluindo páginas de dados por país e de totais por estado.
Esta matéria trata, em parte, de denúncias ainda não confirmadas por decisão administrativa ou judicial. Quando o texto usa “denúncia”, “queixa” ou “alegação”, está descrevendo o estado público das informações reportadas nas fontes citadas, sem afirmar culpa. Atualizações futuras devem ser feitas se órgãos federais confirmarem abertura de investigação, conclusão, arquivamento ou qualquer sanção formal.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.