
A virada no varejo americano
Pela primeira vez, empresas de serviços alugaram mais espaço em áreas comerciais dos Estados Unidos do que lojas voltadas à venda de produtos. A mudança foi impulsionada principalmente pelos setores de bem-estar, beleza e fitness.
O dado de 2025 aparece em levantamento da CoStar, citado pelo The Wall Street Journal, que classificou esse movimento como uma mudança estrutural no mercado imobiliário comercial.
O avanço do e-commerce ajuda a explicar essa transformação. Com mais consumidores comprando online, redes de roupas, calçados e itens de higiene passaram a precisar de menos espaço físico e, em muitos casos, reduziram suas operações presenciais.
Segundo o U.S. Census Bureau, as vendas online representaram 16,4% de todas as vendas do varejo americano em 2025.
Enquanto isso, negócios que dependem da presença física do cliente ganharam força. Academias, estúdios de pilates, centros de alongamento, spas faciais e clínicas estéticas não conseguem transferir sua experiência para o ambiente digital. O resultado é uma paisagem comercial com menos vitrines de produto e mais portas voltadas à prestação de serviços.
O que mostram os dados do mercado
De acordo com a CoStar, empresas de serviços ocuparam pouco mais de 50% da área total de varejo alugada em 2025. Quinze anos atrás, esse percentual era de cerca de 40%.
A baixa vacância também reforça esse cenário. Em atualização recente de mercado, a própria CoStar indicou expectativa de vacância do varejo abaixo de 4,4% no pico projetado para 2026.
Na prática, isso significa uma disputa maior por pontos bem localizados, especialmente em corredores comerciais com alto fluxo de consumidores.
Por que academias viraram inquilinos preferidos
O setor de fitness se tornou um dos principais motores dessa mudança por causa da força da recorrência.
Relatório da Health & Fitness Association mostrou que 81 milhões de americanos tiveram membership em academias e centros de fitness em 2025, o equivalente a 26,1% da população com 6 anos ou mais.
O mesmo estudo apontou mais de 100 milhões de participantes entre membros e não membros, 7 bilhões de visitas ao longo do ano e crescimento anual de 5,2%. A taxa de faltas também caiu para 4,6%, indicando maior frequência de uso.
Para proprietários de imóveis comerciais, esse perfil representa previsibilidade. Academias geram fluxo constante de pessoas em horários regulares, o que fortalece o movimento no entorno e aumenta o valor percebido do ponto.
Para quem opera o negócio, a mensalidade recorrente ajuda a sustentar despesas fixas como aluguel, folha de pagamento e seguros.
O peso da economia do bem-estar
O crescimento do fitness acompanha a expansão mais ampla do mercado de wellness nos Estados Unidos.
Segundo dados citados pelo Wall Street Journal, com base em estimativa do Global Wellness Institute, o mercado americano de bem-estar movimentou US$ 2,1 trilhões em 2024.
Nesse cálculo entram setores como spas, beleza, nutrição, saúde mental e outros serviços ligados à qualidade de vida e ao consumo recorrente.
Essa expansão ajuda a explicar por que espaços antes ocupados por varejistas tradicionais passaram a ser disputados por operadores de academias, estúdios e clínicas especializadas.
Como o setor redesenha o mapa comercial
A mudança também altera o destino de imóveis antes ocupados por grandes varejistas que fecharam as portas.
Pontos antes usados por lojas de departamento, redes de vestuário e varejistas em dificuldade passaram a ser reaproveitados por redes de academias e operadores do setor de wellness.
O movimento mostra que o varejo físico não perdeu relevância. Ele apenas mudou de função.
Em vez de concentrar apenas consumo de produtos, muitos centros comerciais passaram a funcionar como polos de serviços recorrentes, com fluxo diário e relação contínua com o consumidor.
A base factual desta pauta foi apurada a partir de: The Wall Street Journal (matéria sobre serviços dominando locação no varejo), CoStar Group (dados e comunicados sobre mercado de varejo), U.S. Census Bureau (participação do e-commerce em 2025) e Health & Fitness Association (relatório de consumo 2026 com dados de 2025).
Este texto foi escrito em formato de jornalismo de serviço e contexto para a diáspora brasileira, com foco no impacto prático para empreendedores e investidores no segmento de fitness e bem-estar. Números e percentuais foram incluídos apenas quando vinculados a fonte rastreável.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.