
Uma onda de calor fora de época avançou pelos Estados Unidos, quebrou recordes em pelo menos 14 estados e deve atingir quase todo o país até o fim desta semana, segundo meteorologistas do Weather Prediction Center.
O fenômeno é provocado por uma “cúpula de calor”, uma área de alta pressão que funciona como uma tampa na atmosfera e impede a dissipação do ar quente. Com isso, as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.
“Basicamente, todo os Estados Unidos vão ficar quentes”, afirmou Gregg Gallina, meteorologista do órgão ligado ao Serviço Nacional de Meteorologia. Segundo ele, a extensão da área afetada é o que mais chama atenção neste evento.
Na sexta-feira, cidades da Califórnia e do Arizona registraram cerca de 44 °C. O valor superou o recorde anterior para março nos Estados Unidos continentais e ficou próximo de máximas típicas de abril.
Dados do Centro Nacional de Informações Ambientais mostram que ao menos 479 estações meteorológicas bateram recordes mensais entre quarta-feira e sábado. No mesmo período, outros 1.472 recordes diários foram superados.
O climatologista Maximiliano Herrera afirma que estados como Califórnia, Nevada, Kansas, Colorado e Minnesota já registraram o dia mais quente de março desde o início da série histórica.
A previsão indica que entre um quarto e um terço do território dos EUA pode enfrentar temperaturas próximas ou acima dos recordes históricos para março nos próximos dias. Em várias regiões do centro e sul do país, os termômetros devem ultrapassar os 30 °C ainda nesta semana.
Por que esse calor preocupa
O calor fora de época aumenta o risco de incêndios florestais, principalmente em áreas com baixa umidade e ventos fortes. Já há registros de focos ativos em estados do Centro-Oeste e do Sul.
Além disso, o bloqueio na corrente de jato mantém o ar quente estacionado sobre o país, prolongando o evento e dificultando a chegada de frentes frias.
Um estudo do grupo World Weather Attribution aponta que episódios como este se tornaram muito mais prováveis com o avanço das mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, o aquecimento global tornou esse tipo de evento até 800 vezes mais frequente.
O que muda na vida com esse calor?
O impacto é direto, principalmente para quem trabalha ao ar livre.
Profissionais da construção, limpeza, entrega e agricultura enfrentam maior risco de desidratação, exaustão térmica e queda de rendimento. Em alguns estados, empresas podem ajustar horários ou reduzir jornadas nos períodos mais quentes.
O consumo de energia também tende a subir com o uso de ar-condicionado, o que pode elevar a conta no fim do mês.
Em regiões com risco de incêndio, há ainda restrições a atividades como churrasco, uso de equipamentos que geram faísca e descarte inadequado de lixo.
O que fazer agora
Autoridades recomendam evitar exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, manter hidratação constante e acompanhar alertas oficiais do clima.
Quem trabalha ao ar livre deve priorizar pausas frequentes, uso de roupas leves e proteção contra o sol.
Em áreas de risco de incêndio, é fundamental evitar qualquer atividade que possa gerar fogo. Pequenos descuidos podem causar incêndios de rápida propagação.
Aplicativos oficiais de clima e os alertas do governo local são a forma mais segura de acompanhar a situação em tempo real.
Weather Prediction Center (NOAA) Centro Nacional de Informações Ambientais Yale Climate Connections World Weather Attribution
Esta matéria foi produzida com base em dados meteorológicos oficiais e declarações de especialistas identificados. As informações refletem o cenário até a data desta publicação.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.